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Como começar no Ayurveda

  • Foto do escritor: Gustavo Engelmann
    Gustavo Engelmann
  • 4 de mai.
  • 8 min de leitura

Atualizado: há 2 dias

Um guia prático e profundo para dar os primeiros passos no Ayurveda


Se você quer começar no Ayurveda, é bem provável que você já tenha tentado melhorar sua alimentação, buscado respostas para entender sua digestão que está sempre uma bagunça, tentado organizar sua rotina e melhorar sua energia, que está sempre oscilando, controlar sua ansiedade ou resolver aquela insônia, que insistem em permanecer por aí...


Eu sei que muito provavelmente você já leu, buscou, tentou...mas, no fundo, ainda sente que falta algo...ainda sente que tem algo fora do lugar.


Se for esse o caso, você não precisa de mais uma dica solta ou mais uma solução milagrosa. O que você precisa mesmo é uma forma de entender o seu corpo de verdade.


É exatamente nesse ponto que o Ayurveda entra em sua vida.


E, ao contrário do que muita gente imagina, começar no Ayurveda não significa mudar tudo de uma vez. Nem seguir uma lista rígida de regras.


Significa aprender a se observar e se reconhecer na sua verdade e totalidade. Significa começar a enxergar os seus padrões individuais e como eles atuam na sua vida. Significa construir, aos poucos, uma relação mais consciente com o seu próprio corpo e, assim, viver com mais autonomia e liberdade.


Uma mulher tirando a venda dos olhos em meio a natureza.

A vida “normal” antes do Ayurveda


Antes de conhecer o Ayurveda, a maioria das pessoas vive de uma forma muito parecida: acorda e vive cansada, come sem muita atenção, muitas vezes distraída ou com pressa, só para encher a barriga, sente desconfortos digestivos, mas acha que isso é normal, tem oscilações de energia ao longo do dia mas mascara isso com café ou energéticos, dorme, mas parece que nunca descansa de verdade...se identificou em alguma delas?


Ao mesmo tempo, essas mesmas pessoas tentam resolver seus sintomas com soluções isoladas: uma dieta nova super restritiva, um suplemento milagroso que a influencer no Instagram indicou, uma nova super rotina que dura poucos dias, porque não se encaixa nada com a sua vida real...


Existe esforço. Existe tentativa. Mas falta compreensão do todo.


Quando o corpo começa a dar sinais, sejam eles digestivos, emocionais, hormonais, mentais, etc., e eles são tratados como problemas separados, mesmo fazendo parte de um mesmo sistema, as soluções nunca serão verdadeiramente eficientes.


A virada de chave: quando o Ayurveda entra


O primeiro contato com o Ayurveda costuma trazer uma sensação muito específica:


“Agora isso faz sentido!” Se ainda não passou por essa etapa, te convido a assistir a essa aula gratuita que tenho certeza que vai encaixar muitas peças soltas por ai.


E o mais incrível é que o Ayurveda nos proporciona essa sensação não porque ele traz respostas prontas, mas porque ele muda a nossa forma de olhar e compreender a vida e seus detalhes.


Ao desenvolver aquilo que gosto de chamar de "um olhar ayurvédico", você começa a perceber que:


  • O seu corpo não está “falhando”

  • Os sintomas que sente não são aleatórios

  • Existe uma lógica por trás dos padrões que você vive


Quando você entende que tudo que acontece dentro do seu corpo está conectado e faz parte de um mesmo movimento, você entende que saúde não é apenas ausência de sintomas, e sim o equilíbrio e bom funcionamento dos diversos processos internos que acontecem a todo momento para que você exista e viva sua vida.


Saúde, no Ayurveda, é a digestão funcionando bem, é ter uma energia estável ao longo do dia, é ter clareza mental para tomar boas decisões, é ter capacidade de adaptação para mudar os caminhos sempre que necessário...consegue se imaginar vivendo assim?


Porém, diferente das ofertas enganosas e milagrosas que você encontra por aí, essa virada de chave não acontece de forma abrupta ou repentina. Ela acontece à medida que você começa a se observar com mais profundidade.


Começando pela base: os 5 elementos


Antes de mais nada, é fundamental esclarecer que são muitos os caminhos possíveis para você começar a das os seus primeiros passos no Ayurveda. O mais comum é que se comece pela compreensão dos Doshas, que você pode aprender mais aqui.


Porém, se perguntar pra mim se esse é o melhor caminho para começar, minha resposta será que não. E existe um motivo para isso.


No Ayurveda, tudo começa com uma ideia simples, e ao mesmo tempo extremamente profunda. Tudo o que existe é formado por cinco elementos:


Éter (espaço), Ar, Fogo, Água e Terra.


Esses elementos são a base de tudo, e, além de sua representação física, esses também representam qualidades que estão presentes no corpo, na mente, nos alimentos, na fauna, na flora, no ambiente, climas e estações, e também nos processos fisiológicos.


Por exemplo:


  • O Fogo está relacionado à digestão, ao metabolismo, à transformação

  • A Água traz fluidez, hidratação, coesão

  • A Terra dá estrutura, estabilidade, densidade

  • O Ar está ligado ao movimento, ao sistema nervoso, à circulação

  • O Éter cria espaço, físico e funcional, para que tudo exista


Quando você começa a olhar para o corpo, alimentos, sintomas e adoecimentos através dessas qualidades, tudo muda. Você deixa de pensar apenas em “o que fazer”E começa a perceber “o que está acontecendo”.


Essa mudança de perspectiva e de compreensão da dinâmica de causas e consequências que determinam o estado de saúde ou adoecimento é o verdadeiro começo no Ayurveda.


Antes de mudar, aprenda a observar


Um dos erros mais comuns de quem começa qualquer coisa nova é querer aplicar tudo ao mesmo tempo. O famoso "querer correr antes de aprender a engatinhar". No Ayurveda não é diferente.


Tudo faz tanto sentido e inspira tantas mudanças positivas que não é incomum ver pessoas que logo nos primeiros dias querem mudar sua alimentação, rotina, horários, práticas…


Apesar desse movimento parecer positivo e saudável, especialmente para quem realmente precisa de mudanças profundas e grandiosas em sua vida, ele pode gerar um efeito idesejado: a frustração.


Se você já tentou fazer uma fogueira com palhas e folhas secas sabe bem do que estou falando. No começo, fogo alto, brilho, entusiasmo. Poucos segundos depois, fumaça, escuridão, frustração.


Não por acaso, um dos meus "mantras" pessoais é: "sem pressa, mas com comprometimento". Recomendo que leve isso para a sua vida, se fizer sentido para você.


Antes de querer sair correndo para mudar tudo que já sabe que está desequilibrado na sua vida, lembre-se que o movimento para viver o Ayurveda não começa na ação, começa na percepção.


Antes de qualquer mudança, observe:

  • "Como está minha digestão?"

  • "Me sinto leve ou pesada depois das refeições?"

  • "Minha energia oscila muito ao longo do dia?"

  • "Meu sono é profundo e reparador ou superficial e insuficiente?"

  • "Minha imunidade é boa ou vivo doente?"

  • "Estou fazendo aquilo que sei que deveria fazer ou estou só adiando?"


Essa fase pode parecer simples, mas é onde tudo se constrói. Sem observação, tentativas frustradas viram pesos mentais e emocionais. Com observação, cada ajuste vira um aprendizado.


Um caminho possível: como começar no Ayurveda


Uma mulher prestes a iniciar uma jornada de 7 dias para transformar sua vida.

Você não precisa mudar tudo. Na verdade, nem deve.


Aqui compartilho com você uma forma prática de como começar no Ayurveda e a introduzir pequenas ações de mudanças conscientes, que devem ser implementadas com presença e propósito.


Primeiro dia: Obervação. Apenas se observe. Perceba sua fome! Que horas ela aparece? É fome de verdade ou vontade de comer? E sua digestão, está muito rápida, devagar ou equilibrada? Sua energia ao longo do dia está satisfatória ou só funciona depois de um cafézinho? E seu humor, oscila demais ou consegue estar em harmonia interna? Apenas observe, mas ainda sem tentar corrigir nada.


Segundo dia: Aquecer. Ao acordar, após ir ao banheiro, antes de ingerir qualquer coisa beba um copo de água morna. Perceba como essa água flui pelo seu corpo e como ele reage. Um passo simples, mas profundamente regulador para o trato digestivo.


Terceiro dia: Consciência. No terceiro dia, sugiro que comece a anotar quais alimentos te deixam mais leve, que consegue digerir bem e com facilidade, e quais pesam. Azia, gases, empachamento, efeito nas eliminações...quanto mais conseguir perceber e tomar consciência, melhor.


Quarto dia: Presença. A partir desse dia te convido a reservar alguns minutos para o silêncio interno. Minha sugestão é que coloque 5 alarmes distribuidos ao longo do dia. Quando o alarme tocar, você desliga, fecha os olhos e respira de forma consciente por 30 segundos, trazendo a atenção para o seu corpo e se lembrando das observações do primeiro dia.


Quinto dia: Movimento. Após as refeições principais, permaneça sentada por 10 minutos e após esse tempo dê 100 passos. Essa pequena caminhada deve ser feita na somba, sem que fique ofegante ou cansada. Isso ajuda diretamente na sua digestão. Aproveite para perceber a diferença em como determinados alimentos são digeridos com e sem essa prática.


Sexto dia: Rotina. Experimente jantar um pouco mais cedo, de uma forma que seja possível dentro da sua rotina. Independente se 10, 30 ou 60 minutos. Observe seu sono e disposição no dia seguinte.


Sétimo dia: Implementação. Olhe para a sua semana e avalie o que mudou na sua percepção, o que fez mais sentido para o seu corpo, o que sente que precisa implementar em sua vida nesse momento, o que não fazia nem ideia que estava acontecendo e que agora percebeu...esse processo não é sobre performance, é sobre construção de consciência.


Compartilhar torna o caminho mais profundo


Existe algo interessante quando começamos a estudar Ayurveda:

Ele naturalmente nos convida a compartilhar.


Não no sentido de ensinar os outros, mas no sentido de trocar percepções. Afinal de contas, coisas que sempre foram automáticas, normais ou até invisíveis, agora passam a ser notadas, percebidas e compreendidas.


Quando você conversa com alguém sobre o que observou no seu corpo, a tomada de consciência parece que fica ainda mais profunda. Quando escuta o outro, novas possibilidades de percepção de si aparecem. E assim, o aprendizado deixa de ser teórico e passa a ser vivido, tornando o caminho muito mais rico e transformador.


Por isso, que tal compartilhar esse material com alguém que você ama e gostaria que pudesse compartilhar essa transformação com você?


Sem pressa, mas com comprometimento


Talvez essa seja uma das premissas mais importantes para quem está começando. Não só no Ayurveda, mas em qualquer coisa na vida.


O Ayurveda não é uma solução rápida. E nem deveria ser.


Ele é um sistema de compreensão da vida, e isso significa que os resultados não vêm de mudanças bruscas, mas de consistência ao longo do tempo.


Sem pressa — porque o corpo precisa de tempo para responder.

Mas com comprometimento — porque sem continuidade, não há transformação.


Espero que tenha ficado claro que começar no Ayurveda não exige perfeição. Exige presença e comprometimento consigo mesma.


Você não precisa saber tudo, aplicar tudo e nem mudar tudo. Você precisa começar a observar.


Aos poucos, o que antes parecia confuso começa a fazer sentido. Os sinais do corpo deixam de ser ruído e passam a ser linguagem. E é nesse momento que o Ayurveda deixa de ser um conceito…E passa a ser uma forma de viver.


Um convite para aprofundar


Se você sente que esse é um caminho que faz sentido para você, e quer seguir por ele com uma direção clara e segura, eu organizei um material para te acompanhar nesses primeiros passos.


O e-book “Primeiros Passos no Ayurveda” foi criado justamente para isso: te ajudar a entender o básico com clareza, profundidade e aplicação prática no dia a dia.


Ele é o guia que você precisa para começar no Ayurveda com mais segurança, sem se perder em excesso de informação.


Porque, no fim, o mais importante não é saber mais. É começar a enxergar melhor o próprio corpo.


Com amor,

Gustavo Engelmann

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