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De onde vem o julgamento?

  • Foto do escritor: Gustavo Engelmann
    Gustavo Engelmann
  • 28 de out. de 2021
  • 4 min de leitura

Atualizado: 28 de out. de 2021

“Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las”.

Assim já dizia Madre Teresa de Calcutá.


Assim como o amor é um movimento emocional, natural e involuntário do nosso coração, o ato de julgar é um movimento racional, natural e involuntário da nossa mente.

Muito provavelmente esse simples movimento já salvou a vida de muitos dos nossos antepassados, já que muito antes de julgarmos a roupa, o cabelo ou o corpo de alguém, o julgamento era algo utilizado para avaliar os riscos e benefícios envolvidos em uma situação, como uma caça ou definir o local de acampamento, por exemplo.


E para deixar muito claro aqui, todo julgamento busca enquadrar uma pessoa, alguma coisa ou alguma situação em um grupo de qualidades que dirão se aquilo é bom ou ruim, seguro ou perigoso, satisfatório ou não, sempre de acordo com os seus valores individuais, que podem ou não ser alinhados com os valores morais do coletivo.


Mas, atualmente, aqueles que não desenvolvem seu autoconhecimento e sua inteligência emocional se veem a mercê desse movimento inconsciente, que na maioria das vezes gera desconexão e distanciamento da verdade das outras pessoas e muitas vezes até da sua própria.


Vou deixar o autojulgamento para um próximo texto, porque hoje quero te convidar a refletir sobre um ponto chave no processo da construção e perpetuação do julgamento: quais são as bases que sustentam o seu julgar?


Como e quando essa base foi construída? Por quem? Ela é uma construção fixa ou mutável?


Enquanto formos incapazes de responder a essas simples perguntas para nós mesmos, continuaremos presos no ciclo de julgar e ser julgado, sem que nada seja construído a partir disso, sem que ninguém, além de nossos egos, saia satisfeito desse padrão de repetição.


Vamos por etapas:

1 – Essa base, que envolve valores, crenças, padrões, senso crítico e moral começa a ser construída ainda na nossa primeira infância, através da repetição e dos ensinamentos que recebemos dos nossos pais, avós, tutores e bolha social.


Nesse momento, onde ainda somos uma grande folha em branco, tudo é novidade e quase tudo soa como verdade para nós. Por ainda não termos o nosso senso crítico individual bem desenvolvido, é nessa fase que mais estamos suscetíveis a o que vem de fora, e da mesma forma que tijolos sobrem uma casa, cada um desses elementos vai construindo a base dos nossos valores e crenças.


Se parar para observar, muitos dos seus julgamentos se assemelham aos julgamentos dos seus pais, avós, professores ou meio social que nasceu, cresceu e foi inserido, e isso não é por acaso. O que define hoje para você o que é certo e errado, bom e ruim, bonito e feio muito provavelmente foi ensinado a você desde o momento que você nasceu até aproximadamente seus 7 anos.


Comece pelo começo! Observe os valores, padrões e crenças dos seus pais, familiares e bolha social e encontre as semelhanças entre você e eles. Quais desses padrões ainda fazem sentido para você e quais deles você já não quer mais reproduzir? Quais deles você reproduz para pertencer ou se aproximar dessas pessoas?


2 – Além do nosso círculo social mais próximo, as grandes mídias também têm um papel importantíssimo na formulação desses valores e pontos de vista que levam ao julgamento.


Com o avanço da tecnologia e com a hiper conectividade, estamos cada vez mais suscetíveis a sofrer influências, hoje em dia a nível global, que impõe padrões como beleza, comportamento e status social, conquistas e até mesmo definindo o que é sucesso, mesmo que isso seja subjetivo para cada pessoa.


A globalização e os avanços tecnológicos permitem que hoje o acesso à informação aconteça cada vez mais cedo e de forma mais fácil por todas as pessoas, e não por acaso hoje em dia é cada vez mais comum que conflitos familiares acerca de política, crenças, machismo e homofobia, por exemplo, aconteçam.


O acesso a formas diferentes de pensar e ver a vida, coisa que antes demorava 18, 20 anos para acontecer, tem proporcionado uma ruptura cada vez mais precoce nessa repetição de valores e padrões familiares e das bolhas sociais, mas enquanto não soubermos utilizar isso ao nosso favor, estaremos trocando 6 por meia dúzia.


Todo ser humano busca pertencer e ser aceito, amado, reconhecido e valorizado por aquilo que se é, mas também por aquilo que se faz. Sem entender o que você tem feito para conseguir receber uma ou mais coisas dessa lista das outras pessoas, e de onde vieram os padrões em que você está tentando se encaixar, seja de casa ou do outro lado do mundo, você continuará julgando como estranho ou errado quem não faz o mesmo esforço ou quem não quer se encaixar nos mesmos padrões que você.


Seja o padrão de beleza da revista, da novela, do Instagram, da rainha do baile funk ou da passarela do carnaval, por exemplo, sempre existe uma fonte que alimenta e reforça esses padrões aí dentro do seu inconsciente. Que tal identificar as suas fontes e entender o que você tem feito para pertencer a esse padrão?


3 – A construção dos nossos valores está longe de ser fixa!


Muito pelo contrário, é algo que acontece a todo instante em que vivemos, mas nem sempre o que está na base é alterado.


Você pode ampliar o seu conceito de beleza, por exemplo, ao descontruir crenças racistas ou misógenas, julgamentos e padrões antigos que vieram da sua infância, por exemplo.


Mas muito provavelmente a idealização da beleza, construída na sua mente ao longo de tantos anos, permanecerá imutável. Você pode até passar a reconhecer a beleza em outros padrões, formatos e cores, mas o supra sumo do belo para você muito provavelmente será o mesmo.


Por isso que digo: não existe mudança de padrões sem entender as bases que o sustentam.

Enquanto continuar colocando tijolo sobre tijolo, sem compreender qual é o solo e a fundação em que seus valores, crenças e padrões seguem sendo construídos, você permanecerá no mesmo lugar, só mudando a sua fachada, no máximo.


Existem alguns caminhos possíveis que irão te auxiliar a reconhecer e desconstruir esses padrões, mas somente através de um acompanhamento e das ferramentas certas você será capaz de realmente chegar ao cerne da questão.


Se sente que está na hora de trilhar esse caminho, mas não sabe por onde começar, que tal começar pelas perguntas que estão aqui nesse texto?


Toda mudança necessita de ação. Como tem sido a sua por aí?

Com amor,

Gustavo Engelmann

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