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Sobre o apego.

  • Foto do escritor: Gustavo Engelmann
    Gustavo Engelmann
  • 23 de jan. de 2022
  • 4 min de leitura

Até onde vai o seu apego?


Será ele um sentimento que se tem somente nas relações interpessoais, como família, amizades e namorados, ou é possível também encontrar, se soubermos onde procurar aí dentro, apego a ideias, conceitos, verdades, padrões, crenças e talvez até mesmo a traumas, dores e medos?


Em tempos em que muito se fala sobre desapego pela busca de maior leveza, independência e liberdade dentro das relações, pauta que considero extremamente necessária e pertinente, podemos acabar nos esquecendo que a nossa maior, mais profunda e intensa relação diária é conosco, de dentro para dentro!


“O famoso eu e eu.”


Muito provavelmente você sabe bem qual é a sensação de se perder alguém por quem se tinha muito apego: aquele vazio que pesa no centro do peito, que gera a insegurança e os pensamentos da certeza absoluta de que nunca mais será feliz com outra pessoa novamente daquele jeito.


A impermanência é implacável. Sem se importar com nossos sentimentos movimenta tudo na nossa vida a cada tanto, só para nos manter em movimento e nos lembrar que estamos vivos.



Ao longos dos últimos anos pude perceber que quanto maior o apego que sentia por algo ou alguém, maior era o tempo que levava para a mudança acontecer, tipo aqueles términos que você começa a pensar que quer terminar em janeiro, mas só termina em setembro, e vive um relacionamento horrível por meses por conta do medo e insegurança, sabe?


Entendi que quanto mais eu tentava manter vivo algo que já não mais vivia, maior era a dor e o sofrimento gerados por causa do movimento.


Por causa do movimento não, por causa do apego.


É fácil identificar esse padrão se repetindo quando chega o momento em que temos que sair de casa, terminar um relacionamento, sair de um emprego estável para ousar viver, mudar de cidade e sair da zona de conforto ou qualquer outra coisa que nos faça abandonar o conforto, estabilidade ou segurança e viver esse movimento na pele. Desapegar não é nada simples, e exige consciência das raízes que sustentam esse sentimento para que ele isso possa acontecer.


Já são alguns anos me aprofundando na dualidade apego e desapego, principalmente essa que experienciamos “do lado de fora”. Acreditei, inclusive, durante muitos anos, que apego era só esse do lado de fora, que se pode ver e tocar, tipo uma pessoa, uma casa ou um carro, por exemplo.


Durante anos me limitei a ver o apego "de olhos abertos", sempre nas relações com as coisas externas, até conhecer, experimentar e me aprofundar nos caminhos que o ThetaHealing trouxe e abriu na minha vida.



Até 2019 eu não podia imaginar a grandiosidade e importância do mundo interno que habita em cada um de nós. Onde reinam o subconsciente e inconsciente que existem dentro de mim se escondiam chaves que eram essenciais para o meu caminho e que só poderiam ser conquistadas ali.


Na época eu sabia que esse lugar existia e que era muito importante, mas ainda me parecia distante demais para cer acessado. Sinto que quando descobri e me aprofundei inicialmente na espiritualidade, lá em meados de 2014, acabei baseado em personificações e rituais externos a mim a conexão com o divino, e mesmo que estivesse de olhos fechados, sabia que ainda não estava olhando “para o lugar certo”.


Com a nova ferramenta a minha disposição, percebi que havia apegos não só externos, mas também internos que me acompanhavam a muitos e muitos anos, e que estavam determinando a forma com que eu vivia e a qualidade da minha experiência de vida!


Após 3 anos de aprofundamento interno, por vezes já me vi apegado a traumas passados que me serviam como perfeitas justificativas para não realizar ou não mudar algumas coisas na minha vida.


De forma inconsciente fui vivendo me apoiando em bengalas emocionais que eu já não mais precisava utilizar a muitos anos, mas fazia questão de mantê-las por perto, mesmo elas sendo um peso desnecessário e extremamente desagradáveis de serem carregadas.


Depois de 5 anos olhando para o lado de fora, acreditando que estava quase chegando a um lugar de compreensão satisfatório, no começo daquele ano eu abri os olhos para o lado de dentro, e isso mudou a minha vida por completo.


Descobri que nossa mente é capaz de criar enredos e histórias extremamente convincentes, que encontram os perfeitos culpados e as perfeitas justificativas para que não aconteçam movimentos bruscos em nossas vidas ao longo do caminho.


- “Eu não faço um intercâmbio porque minha mãe...”, “Eu não vou pra Bahia porque meu pai...”, "Eu não saio desse emprego porque as contas...". Não são poucas as maneiras que encontramos de justificar nossa não ação em busca de nossos sonhos.


Em meio a tudo isso, dessa forma podemos fugir das responsabilidades e das consequências das nossas escolhas, afinal de contas “eu vivo quebrado porque ninguém nunca me ensinou sobre educação financeira”.


Por incrível que pareça, até mesmo um trauma ou experiência negativa podem se tornar uma muleta para uma mente que foge da sua responsabilidade, e se libertar da posição de vítima, por exemplo, pode ser um grande desafio para quem tem benefícios e ganhos a partir disso.


O desapego interno acontece através de uma chave, que só pode ser utilizada por quem souber reconhecê-la.


O orgulho, o ego, a soberba e a superioridade são inimigos dessa chave, e se ainda não tiver clareza sobre isso em sua vida, recomendo que de alguns passos na direção do entendimento da humildade e da impermanência, porque tudo o que sobe, um dia desce, e você precisa estar preparada para isso.


Essa chave destrava o caminho e te dá força para se livrar das bengalas desnecessárias. Para isso é só deixar ir.


É através do perdão que as correntes internas se soltam, e sem ele a mágoa e rancor são a âncora.


Pra perdoar tem que ter coragem, é abrir mão de culpados e escolher diferente no aqui e agora sem ter um porquê que não seja seu coração.


Tudo aquilo a que você tem apego te oferece pelo menos 1 dos fatores: conforto, estabilidade e segurança.


Quando se tem os 3, o apego é quase certo.


E agora te convido a pensar e responder 3 perguntas para si mesma, para melhor caminhar:


Meu maior apego interpessoal é (pessoa). Por quê?

A desculpa que mais uso para não realizar as coisas na minha vida é (causa).

Se eu perder (sentimento) vou perder minha melhor justificativa para não fazer o que devo.


Se tiver dúvidas de como responder essas perguntas, é só colocar aqui nos comentários!


O primeiro grande passo é sempre para dentro, e se não souber por onde começar me pergunta como eu posso te ajudar!


Sempre com amor,

Gustavo Engelmann

 
 
 

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